A adolescência
- Ana Moreira

- 20 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de mai. de 2020
Alguns conceitos sobre o contexto que envolve a adolescência A adolescência: Da nomenclatura às perdas.
A palavra "adolescência" tem origem no latim, onde ad = "para" e olescere = "crescer". Portanto, adolescência significa literalmente "crescer para", a palavra é utilizada para classificar uma fase do desenvolvimento humano. (Saito, Silva, 2001)
De acordo com Outeiral (2003) a nomenclatura “adolescência”, se deu entre o período da Primeira e Segunda Guerra Mundial, ou seja, entre 1918 a 1939, sendo que antes disso as crianças passavam da infância para a fase adulta contemplando apenas alguns ritos de passagem. França (2013) ressalta ainda que o fator determinante para se classificar o período da adolescência são os aspectos econômicos, culturais e sociais da comunidade onde está inserido.
Considerando essa periodização da adolescência alguns órgãos classificam as faixas etárias para melhor organizar suas atribuições, como por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera adolescência o período que se estende dos 10 aos 19 anos de idade. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria também consideram como adolescentes os indivíduos que se encontram nessa faixa etária, já o Art. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente, “considera-se criança, para os efeitos desta lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito anos de idade.”
Para Calligaris (2000), em qualquer comunidade, cultura ou época, o elemento fundamental, que marca o início da puberdade são as transformações corporais, a perda do corpo infantil para o corpo adulto, dentro de uma mente ainda desordenada entre querer ou não tais mudanças, sofrendo por não obter o controle sobre as situações.
Ainda de acordo com Calligaris (2000), se perceber diferente para o adolescente é a constatação de que perdeu a graciosidade infantil e com ela o amor dos pais, já que esses pais obtinham sobre essas crianças, um olhar embutido de contentamento sem obter nada em troca, agora na adolescência esse olhar vem diferente, ainda não reconhece um adulto nem a criança, gerando assim sentimentos insegurança e insatisfação no adolescente.
Aberastury (1986) descreve que, a relação de dependência infantil é abandonada gradualmente e com bastante dificuldade. A importância de se lidar com as mudanças físicas, o sofrimento da identidade e o papel infantil, em luta com a nova identidade e as expectativas sociais que desperta, levam o adolescente a um processo de negação destas mesmas mudanças, que estão ocorrendo simultaneamente na figura e na imagem dos pais e no vínculo com os mesmos. (p. 17)
As perdas são significativas, tanto para o adolescente quanto para seus respectivos pais, já que este último também precisa elaborar perdas, entre elas a de submissão infantil, que agora dá lugar aos enfrentamentos dos adolescentes que vem reivindicar sua independência aos pais, ao mesmo tempo em que idealizam uma relação de proteção e compreensão que dê suporte à todas as penúrias necessárias para se alcançar a independência.
Para Calligaris (2000), as mudanças vão desde as físicas até as psíquicas, as transformações hormonais e corporais tanto em meninos quanto em meninas, influenciam nas suas escolhas, condutas, valores e conceitos. Este mesmo corpo que antes era embalado por seus pais, que os empurravam no balanço, agora são em certa medida ressignificados, estabelecendo assim novas relações e vínculos com a família e sociedade, já que este corpo está na condição de moratória, ou seja, o adolescente tem o corpo de um adulto e supõe poder realizar todas as tarefas de um adulto, porém terá que esperar ansiosamente por anos até poder executá-las.
É sobre essa contradição interna e de conflitos dialéticos que se estabelecem as condutas contraditórias dos adolescentes, somente com a solução desses impasses e confrontos, que será possível a passagem para a vida adulta de forma harmônica. (Aberastury, 1986).


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